Câmara vai negociar com o Ministério da Saúde novos equipamentos

Quatro unidades familiares em vez de dois centros de saúde

 

Custóias e Leça do Balio há muito que lutavam para ter os respectivos centros de saúde. Mas as orientações dos sucessivos governos vinham a adiar estas pretensões. Agora, perante uma nova orientação, a autarquia matosinhense pensa numa nova proposta.

 

A Câmara Municipal de Matosinhos, em sintonia com as ambições das populações de Leça do Balio e Custóias, vinha nos últimos anos tentar sensibilizar o Poder Central no sentido de dotar estas duas freguesias com o respectivo centro de saúde. Uma primeira indicação governamental foi positiva, sendo que a autarquia matosinhense chegou mesmo a adquirir os terrenos necessários para a construção das duas infra-estruturas - alguns deles mesmo expropriados.

 

A Câmara ofereceu igualmente os projectos, entregando-os à Unidade Local de Saúde. Mas, um estudo mais aturado do Governo Central chegou, entretanto, à conclusão que era económico e humanamente impossível construir dois centros de saúde em terras vizinhas como são Custóias e Leça do Balio. Para além de sair caro ao erário público a construção e manutenção dos centros de saúde, não existiam os meios humanos necessários para assegurar o bom funcionamento das infra-estruturas.

 

Apesar das populações continuarem reivindicativas, a verdade é que os governos seguintes não mudaram de opinião. Entretanto, Luísa Salgueiro deu conta, na última reunião pública do Executivo Camarário, que sente no actual governo “uma mudança de orientação no que toca aos cuidados primários” prestados aos cidadãos. Neste sentido, e compreendendo que é financeiramente impossível a construção dos dois centros de saúde, a Vereadora sugeriu que a autarquia matosinhense aproveitasse esta mudança de orientação política para voltar a reforçar a necessidade de equipamentos de saúde em Leça do Balio e Custóias mas agora de dimensão inferior. Ou seja, Luísa Salgueiro indicou que seria viável que a Câmara abdicasse da construção dos centros de saúde para lutar por duas unidades familiares, mais pequenas mas mais próximas da população. Para além disso, juntaria a estas reivindicações mais duas unidades deste tipo para Santa Cruz do Bispo e para Perafita.

 

Guilherme Pinto acolheu com agrado a sugestão visto que também é de acordo que a construção de mais dois centros de saúde é financeiramente incomportável. Para o Presidente da Câmara a solução é boa uma vez que cria duas novas infra-estruturas médicas de apoio à população, ao mesmo tempo que assegura outras duas já existentes. “O importante é haver unidades de proximidade, mesmo que com menos valências, mas adaptadas à realidade de cada população”, reiterou. Neste sentido, a autarquia matosinhense avançará com novas propostas para o Ministério da Saúde no sentido que Custóias e Leça do Balio tenham os cuidados de saúde que há muito ambicionam.

 

Do público veio a questão sobre o alargamento do cemitério e a construção da nova igreja em Lavra. Um proprietário de terrenos potencialmente utilizáveis para o efeito veio reiterar a sua colaboração para os negociar para o efeito. Guilherme Pinto garantiu que a nova centralidade lavrense - que inclui estas obras - está a ser reanalisada e que quando avançarem as obras, as negociações com os proprietários dos terrenos afectos serão amigáveis, não querendo a autarquia recorrer a expropriações.

 

A vereadora responsável da Protecção Civil, Joana Felício deu conta, ainda, que o período de frio que atravessou o território nacional não teve qualquer impacto negativo em Matosinhos. Houve uma equipa de emergência pronta a actuar com posto montado nos Bombeiros Voluntários de Leça do Balio que disponibilizaram ainda um espaço para receber casos de emergência. Foram disponibilizados também cobertores e alimentos que somente duas pessoas solicitaram. Tirando esses casos, mais nada se registou.

 

 

Por: Laura Vieira in Matosinhos Hoje edição de 01-02-06

 

 

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