Jovem em prisão preventiva na Cadeia de Custóias

Morto na cela

 

Uma overdose de drogas terá sido a causa de morte de um jovem que se encontrava em prisão preventiva na Cadeia de Custóias. O preso foi encontrado já sem vida na cela que divida com um outro recluso.

 

O alarme foi dado pelas 9 horas da manhã de sexta feira. Um recluso da Cadeia de Custóias reparou que algo de mal de passava com o seu companheiro de cela. O jovem, de 18 anos de idade, estava na parte de cima do beliche e não reagiu à chamada do colega. Intrigado, o recluso subiu para perceber o que se passava. Foi quando verificou que o jovem estava inanimado.

 

Os guardas prisionais foram de imediato chamados, mas já não havia nada a fazer. O jovem estava mesmo morto. A GNR de Custóias foi chamada à Cadeia e o corpo acabou por ser removido para o Instituto de Medicina Legal do Porto a fim de ser autopsiado.

 

O jovem estava a receber acompanhamento no Serviço de Psiquiatria da cadeia e cumpria um tratamento de substituição de drogas enquanto se encontrava em prisão preventiva depois de ser detido por furto. Aliás, o recluso tinha um historial de toxicodependência conhecido. Daí que, há falta de outros sinais que pudessem levar a concluir o motivo da sua morte, uma overdose poderá ser a principal razão para o seu falecimento. O corpo não teria mesmo qualquer sinal de violência visível. A autópsia será, assim, fundamental para apurar o que realmente se terá passado. Até ao fecho desta edição não nos foi possível apurar dados sobre os primeiros resultados da dita autópsia.

 

Certo é que decorre já um inquérito para serem apuradas as circunstâncias em que ocorreu esta morte. Um inquérito da responsabilidade da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais. Recorde-se que este já não é o primeiro caso do género que ocorre nas instalações da Prisão de Custóias. A 16 de Dezembro do ano passado três presos tiveram destino idêntico. Também eles eram toxicodependentes e estavam a cumprir um tratamento de substituição. As autópsias não foram totalmente conclusivas quanto às reais causas da morte. No entanto, revelaram a presença de metadona e fármacos nos corpos. Não se esclareceu, assim, se poderá ter havido uma ingestão de drogas por parte dos reclusos fora do tratamento ou se poderá ter sido o próprio tratamento a causar este trágico final.

 

O jovem de 18 anos é mais uma morte idêntica cuja autópsia poderá dar algumas pistas sobre o que se passou. É que, num relativo curto espaço de tempo, é já a quarta vítima mortal a aparecer na Prisão de Custóias, todas em circunstâncias idênticas: deitam-se à noite nas celas e aparecem mortas de manhã.

 

 

Por: Laura Vieira in Matosinhos Hoje edição de 21-06-06

 

 

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