Adiada a construção dos Centros de Saúde de Leça do Balio e Custóias

Estruturas são necessárias

 

As freguesias de Leça do Balio e Custóias afinal não vão ter centros de saúde. Uma notícia que desagradou aos presidentes das respectivas juntas que, apesar de tudo não desarmam e continuam firmes na luta por aquilo que consideram ser um direito das populações.

 

A Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos tornou pública, recentemente, a decisão de que não iria avançar com as construções dos centros de saúde para as freguesias de Leça do Balio e Custóias. A comunicação desagradou quer a Francisco Araújo, presidente da Junta de Leça do Balio, quer a José Tunes, presidente da Junta de Custóias, que classificaram a decisão como negativa para as populações de ambas as freguesias.

 

No que respeita ao caso de Leça do Balio o autarca sublinha que "estamos perante o adiamento de um assunto que em muito toca aos balienses e que é necessário", acrescentando que "é um direito da nossa população que merece atenção, até porque todos merecem uma saúde rápida e eficaz".

 

Por outro lado, Francisco Araújo recorda que a freguesia é composta por 50 mil habitantes que precisam de um centro de saúde, na medida em que estes têm de se deslocar ao de S. Mamede de Infesta "que está a rebentar pelas costuras".

 

Conquanto, não coloca em causa os bons serviços prestados pelos enfermeiros ou médicos, mas salienta a demora da marcação das consultas para os utentes. A este propósito, Maria Teresa, moradora em Leça do Balio, confessa que desconhecia que estava prevista a construção de um centro de saúde para a freguesia, mas defende "que seria bom, pelo menos com melhores médicos".

 

Sílvia é outra baliense que concorda com a sua conterrânea referindo que em S. Mamede "não existem médicos em condições", razão pela qual sublinha que é preciso um centro de saúde, pois "teríamos, certamente, melhores condições de saúde porque o outro está sobrecarregado". Frisando que "para ter uma consulta nas vagas é preciso ir para lá de madrugada, o que se torna muito complicado". Alguns populares de Custóias também foram confrontados com a actual situação, mas mostraram-se mais reservados em não querer falar do assunto, até porque, segundo José Tunes, "muitos custoienses pouco sabem sobre este recuo".

 

Os cidadãos é que sofrem

 

Para já é certo que a construção destas duas unidades de saúde está adiada e, na opinião dos dois presidentes, é certo que são "os cidadãos os que vão sofrer na pele com esta decisão". Ambos esclarecem que o Conselho da Administração da ULS de Matosinhos justificou a mudança de planos por não considerar uma prioridade que seria rentável, afirmando que teriam falta de médicos e enfermeiros. Alegações que não convencem os autarcas.

 

Reivindicativos

 

José Tunes, presidente da Junta de Freguesia de Leça do Balio, e Francisco Araújo, presidente da Junta de Leça do Balio, questionam o porquê desta reviravolta no que respeita aos centros de saúde. Uma mudança de rumo que acontece já depois da Câmara de Matosinhos ter cedido os terrenos, de existir um projecto e de ser lançado a concurso e, de repente, tudo fica parado e adiado. Mas, apesar do cenário negativo Francisco Araújo reiterou à população uma mensagem de que vai continuar a ser reivindicativo, afiançando "não desarmarei, de forma alguma, para conseguir levar a bom termo a questão do centro de saúde até às conclusões finais". José Tunes, por sua vez, reconhece que a população vai reagir mal a esta decisão, mas "não vão haver manifestações públicas" porque a junta vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para alterar esta estratégia, garante o autarca.

 

 

Por: Elisângela Costa  in O Primeiro de Janeiro edição de 08-01-04

 

 

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